O programa da Parque Escolar EPE

O atual parque escolar das escolas secundárias portuguesas consiste num total de 477 escolas construídas a partir do final do séc. XIX, com 77% construídas depois de 1970. Este periodo de expansão reflete o aumento da escolaridade obrigatória para nove anos, e que atualmente se encontra alargado para os doze anos.

Uma tradição "centralista" em Portugal manifestou-se, entre outras formas, nos programas de construção de escolas secundárias. Foi este o caso nos primeiros Liceus, nos projetos emblemáticos do  “Estado Novo” como o Plano of 1938, ou em iniciativas mais recentes associadas à democratização do acesso ao ensino secundário, como nos Projectos-Tipo, seguidos da delegação desta responsabilidade nas Direções Regionais de Educação  (Alegre, 2009).

Em 2007, o governo português criou a Parque Escolar E.P.E., uma empresa pública responsável pelo planeamento, gestão, desenvolvimento e execução do programa de modernização das escolas secundárias. O modelo de escola proposto pressupõe:

A passagem de um modelo de ensino exclusivamente centrado no professor, i.e., num modelo expositivo, baseado na transmissão de conhecimentos (aprendizagem passiva), para um modelo de ensino baseado em práticas pedagógicas de natureza colaborativa e exploratória (aprendizagem activa), suportadas em exercícios de investigação, recolha de informação e experimentação laboratorial/simulação; produção de artefactos e realização de relatórios e discussão/comunicação. Tais práticas requerem uma maior permanência de alunos e de docentes na escola e a presença de espaços adequados;

O investimento na criação de 1) hábitos de pensar/raciocinar de forma crítica; 2) capacidade para recolher, organizar e analisar informação; 3) capacidade para trabalhar em equipa de forma colaborativa e dinâmica; 4) capacidade para aplicar os conhecimentos adquiridos na resolução de problemas; 5) capacidade para se adaptar a novas situações e às evoluções tecnológicas; 6) atitude de aprendizagem autónoma e auto-orientada; 7) o gosto pela prática de actividades extra-curriculares que ajudem a complementar a formação dos alunos;

A descentralização do processo de ensino/aprendizagem relativamente ao tempo e ao espaço da sala de aula;

O incentivo a actividades complementares à “sala de aula” envolvendo pesquisas de informação e discussões e o acesso facilitado a informação permite padrões de trabalho mais flexíveis;

O uso intensivo das novas tecnologias de informação e de comunicação (TIC); A utilização de equipamentos informáticos e electrónicos (p.e. computadores, quadros interactivos, scanners, impressoras) e o acesso à internet não só transformaram os métodos de aquisição e de produção de informação, como se tornaram ferramentas de ensino e de aprendizagem fundamentais; O acesso a informação digital e o número de computadores na escola vai continuar a aumentar estando previsto que no futuro todos os alunos tenham acesso a “hardware” sem fios o que implica a cobertura total dos edifícios por rede informática;

Abertura da escola à comunidade exterior, de modo a promover a formação ao longo da vida a certificação de competências; A organização espacial da escola reflecte-se neste processo, na medida em que define o suporte físico de todas as actividades realizadas e em particular interfere na forma como os diferentes membros da comunidade escolar (alunos; docentes; funcionários; pais e encarregados de educação) interagem entre si, se relacionam com a aprendizagem e adquirem conhecimentos e várias competências. (Parque Escolar, 2009, pp. 12-13)
 

Até 2017, cerca de 150 escolas secundárias entraram neste programa de modernização.

Publicações relevantes

  1. Manual de projeto: Arquitectura
  2. Manual de projeto: Arquitectura paisagista
  3. Manual de projeto de instalações técnicas
  4. Especificações técnicas de arquitetura para projeto de edifício escolar